quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cenário de domingo



Estávamos a caminho de Lumiar, quando passamos por Casimiro de Abreu, no domingo. O cenário estava pronto para a foto. Foi só parar no acostamento e clicar. Como escreve Roland Barthes, em A Câmara Clara, "A vidência do Fotógrafo não consiste em 'ver', mas em estar lá".

O agosto que se fez cultura



Hoje é 31 de agosto. O mês termina com uma ternura na lembrança: os eventos realizados durante o Agosto Cultural, realizado pelo Círculo Artístico Cultural de Saquarema (CACS). Não é fácil trabalhar como trabalharam os organizadores, que conseguiram trazer para a cidade um show de chorinho de excelente nível com Edgar Gordilho (foto), uma exposição de pintura, um concurso de fotografia, e oficinas de contação de história e escultura. Preciso escrever mais nada. Só deixar registrado esse belo feito, e aplaudir. É da união que nascem grandes coisas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Um estudo para o olhar


“Saquarema é um lugar ótimo para quem gosta de estudar”, disse-me certo dia minha professora de yôga, Rosângela de Castro. Esse estudo, penso, é abrangente como o silêncio das ruas nesses dias de inverno. Também como um barco ancorado, à espera da hora de ir buscar o peixe. Estudar é assim: estar à espreita, aguardando a brisa do conhecimento que nos chega através da beleza natural de estar aqui. Tem dias que é só pegar a câmera fotográfica e sair por aí, estudando formas, cores, composições, pessoas, o tempo incomum de Saquarema.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

De sete em sete, e outros sets


Paulo Luiz Barata é um poeta do avesso. Quis escrever essa frase mais pelo que pode ampliar de significados do que propriamente explicar alguma coisa ou definir o indefinível impulso da escrita deste poeta singular. Quando ele me pediu para escrever o prefácio ou a orelha de seu novo livro de poemas, confesso que hesitei. E fiquei ali, no meio de tantos afazeres cotidianos, alheio aos versos que, sabia eu, eram fortes e sinceros. Também fui sincero com o Paulo. E isso é algo que define bem nossa amizade, que nasceu assim, de graça. Era eu, então, que estava do avesso. Ou seria um espelho que refletisse comunhão?

Encontro agora o “Escola do Trovão” (Rio de Janeiro, Ibis Libris, 2011) e não me furto do direito de falar do livro. Acho que eu precisava justamente disso: ver o livro pronto. Porque, assim como em seus livros anteriores, Paulo Barata é um escultor que acompanha passo a passo cada uma das etapas de sua obra. Ler o livro antes é não ter lido o livro inteiro. Pois enfim o faço, e pergunto ao leitor mais atento: sabes o que é um trovão? Sim, é isso mesmo. É aquele estrondo que segue logo após a lâmina de luz que corta o céu em diasnoites de tempestade. Um bom nome para indicar também o significado de sua poesia em essência: um estrondo que acompanha esses raios que são seus versos, às vezes claros, às vezes assustadores.

Trovão também é uma trova grande. Assim, os versos de sete sílabas compostos pelo poeta vão se tecendo em trovas que podem ser lidas como um só conjunto, formando um só poema (um trovão). Ou lidas como pequenas cintilâncias na página. E cada leitura resulta em surpresas que tocam fundo na alma: “Quando o tempo vira espaço / É sinal de um mundo findo. / Quando pega no compasso / E lá vem outro Sol vindo”. Ou, como afirmei antes, assustam os desavisados: “Pisou, viajou na rosa, / O xamã ofereceu / Um peixe que Sara goza, / Na cara de Prometeu.”

Ler Paulo Luiz Barata é sempre uma descoberta. Quando ele me disse que estava escrevendo trovas, eu já aguardava algo novo. Pois que não é de seu feitio ser igual ou repetitivo. Faz parte de sua configuração expandir os significados. Em sua “escola” há algo de universal que faz tudo que passa por seus olhos se transformar em nova realidade. Uma estranha realidade, à La Castaneda, vai se construindo nas palavras deste xamã poético de cabelos cor de prata. E ele diz: “Minha escola é perene. / Depois de mim vai ficar. / Após o EME vem o ENE. / Faz das cinzas o próprio lar”. Ao leitor que deseja um bom mergulho neste mar sem fim que é a alma poética de Paulo Luiz Barata um conselho: esqueça as regras, desate o nó da gravata e simplesmente saboreie uma fruta fresca enquanto lê. Pois a trova, tem hora, que troveja diferente de nosso ouvir.

Camilo Mota é poeta, editor do Jornal Poiésis, mora em Saquarema-RJ.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Guardar o sorriso para celebrar a alegria

Quando recebi a notícia da morte do amigo Marin Melquíades, jornalista, editor do Diário de Petrópolis, por um instante senti aquele lamento tão natural quando perdemos uma pessoa querida. Passado algum tempo, comecei a rememorar sua lembrança, os dias na redação do jornal alguns anos atrás, um ou outro encontro na rua ou nas reuniões acadêmicas. Em todo canto que procurava sua imagem em mim, só encontrava o sorriso dele.

Essa constatação fez-me ver o quanto é importante guardarmos conosco os bons momentos que vivemos com as pessoas com as quais nos relacionamos na família, no trabalho, no dia a dia. Sejam elas amigas, ou mesmo inimigas. Todos que nos entregam um sorriso cordial, sincero, estão contribuindo também para a nossa felicidade. Por isso que, tantas vezes que me encontro diante da morte de alguém tão próximo, logo após o choque inicial, enxergo o seu sorriso em mim. Quando uma de minhas sobrinhas saiu deste plano de volta aos braços do Pai Maior, chorei um tanto... mas tinha hora que eu chorava de felicidade, por ela e por mim: seu espírito havia cumprido sua missão, havia estado aqui bem próximo do meu, e ainda prossegue assim próximo pela vibração do Bem que integra aqueles que reconhecem a Unidade como princípio para a manifestação do Amor.

Nos momentos de tristeza passageira que a vida nos apresenta é sempre bom lembrar dos amigos que temos e dos que tivemos. E é sempre melhor lembrar de todos pela manifestação de seu olhar feliz, de seus lábios sorridentes, para que possamos celebrar a alegria e a felicidade de estarmos todos irmanados sob o mesmo sol que nos abençoa com sua Luz.

Camilo Mota é escritor, poeta, terapeuta holístico (www.reikiadistancia.com.br)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Jornal Poiésis de abril

Já está disponível para leitura a versão digital do Jornal Poiésis nº 181, de abril de 2011.


sábado, 19 de março de 2011

Pequenas coisas



A vida se faz nas pequenas coisas. O beijo no rosto, o gesto suave de bailarina, a brisa no amanhecer, o grilo respirando manhãs de outono, o pardal orquestrando os cantos diversos. Quando é noite e olho para o alto é que enxergo melhor minha pequenez. Quem se acha grande é porque não conhece nada de si nem da vida. Hoje sonhei com poesia. Ah, coisa antiga, me diriam. E a mim que ainda paro para olhar uma flor diferente numa mesma árvore condenada ao rigor dos homens e seus olhos de chumbo.